terça-feira, 19 de abril de 2011

Feelings



Maitena

A primeira vez que ouvi falar de vc eu senti raiva. Eu tinha acabado de transar com um cara e ele não parava de falar de você, porra. Era profissional, eu sei, mas vai explicar isso pro inconsciente feminino. Um dia a gente se falou na calçada e eu entendi: ele tinha razão. Não ser elogiado por você era mesmo um demérito, isso porque ele nem ouviu as outras línguas venenosas da mulherada... Uma noite, duas, três, mais um cigarro, outra breja, uma manhã no Copam, na Praça, uns tiros, tanta coisa depois e a gente aqui. Teve aquele puta fora que eu dei lembrando do seu namorado na minha adolescência, poxa, fiquei com tanta vergonha, mas ah... passado, né? Eu era fã dele, dessas que ia nos showzinhos de colégio , um dia postei um vídeo dele tocando com um outro cara. Ai, ai, ai... esse cara sim, tinha transfigurado meu coração. Crime ediondo, homicídio doloso. Ressucitei, mas foi um tempo tenebroso gostar de alguém e não ser exatamente nada na vida dessa pessoa. Eu falava disso nas nossas noites por aí, a gente mudava de assunto, eu ouvia você cantar Nina Simone e pensava: ela tem razão. A gente quando via tava discutindo um monte de coisa super profunda e superficial ao mesmo tempo. Fui te admirando pra caralho e to indo nos teus 40 anos. Que idade foda, eu to chegando nela em breve. Tenho te visto em momentos tão marcantes, sabe? Aquele show no SESC era como se fosse a minha alma exposta, lá assim, despudorada. Eu sou exatamente aquilo. No fundo sei lá quem eu sou direito, muita coisa, mas quando eu acordar daqui a pouco e tiver quarenta também quero poder me sentir assim, e ter esse jeito de liberdade e força que eu admiro tanto em você. Felicidades para essa mulher que tem no feminino o nome que eu pronuncio sorrindo todos os dias pela manhã...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Etre & Avoir...

Tolouse Lautrec

Que existia e não sabia o que... Não sabia, mas estava lá. E era tanto e quanto que não sabia medir, não sabia se era muito, se era pouco, mas era. E se perguntava o que era, até que a necessidade da forma perdeu a razão de ser e fez do estar o princípio de tudo. Pois estavam juntos e era sempre muito bom, porque conseguiam ter epifanias com os textos, as canções dos anos 80 e se encantar com as melodias dos 90. Porque chegou com gosto de Pessoa e Caio Abreu, e mesmo ao pensar na primeira guerra que começara por causa de um outro, desafiava acreditar que viera em missão de paz. Mas o coração não encontra paz na euforia, e a busca por essa adrenalina é a busca pelo eterno conflito. Sempre soube que o coração fora feito para o pulso e não para a arritimia, porque o teve amordaçado e sangrento em tantas noites de solidão e elas haviam se esgotado assim sem mais nem menos. Tão natural e tão de repente, que nem teve tempo pra se acostumar, vestia-se a ele feito camisinha texturizada: total aderência, mais prazer. Feito um slogan clichê na prateleira da farmácia e daí em diante, até comrecial de pasta de dentes adquirira novos significados. Porque a vida tem mesmo que adquirir sabores e cores diferenciadas ao lado de quem se gosta. E não é que o mundo fique torpe, apenas olhamos para coisas que antes não havíamos observado. Neste caso estarem distraídos era manter os olhos fechados para o resto do mundo. E saber o quanto é bom não ter noção do tempo, quanto é bom adiar os desejos ao telefone, saber de cada gesto e de cada gosto que os aguarda na noite seguinte. Sem pensar em tudo o que se pensa e sem dar vazão ao medo que se sente ao estarem tão vulneráveis, irem vivendo os dias, deixando que o destino teça o seu manto, e que os cubra para que nunca mais seja inverno novamente.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Sobre você...


Escrever sobre você é como escrever sobre o nada. É sobre qualquer coisa de intenso que não serve para coisa alguma, além do meu Desejo. E não que o desejo não tenha uma importância crucial na vida das pessoas, mas não interfere sobre a relevância dos fatos. E sobre você eu nada poderia dizer além de que adoro sugar seu sexo e seus mamilos, inventando fantasias que nunca se concretizam. Nada além de expurgar os anseios reprimidos meus e de tanta gente, um longo período de tempo depois. Eu não me guardei para você, me guardei para mim, porque esperava que o Desejo me abduzisse de modo incontrolável como foi quando te pertenci, numa noite qualquer desta cidade desabitada. E porque esse Desejo era forte, suponho um flashback, um replay que nunca se concretiza e nem eu mesma sei a razão... Eu não quero possuir sua alma, juvenil e tenra como qualquer coisa que se desespera e eu também desconheço o motivo, permaneço na indagação. Eu nunca saberei de nada e talvez nem queira, a fantasia do incerto me instiga um pouco mais. Não importa. Não quero racionalizar o instinto, ou fantasiá-lo de sensibilidade, não sou escrava do romantismo e por isso mesmo me entreguei ao deleite do seu corpo nu. Não espero nada além do que posso ter, do que me permito querer e desejar intensamente. Sonhos que colidem com os de tantas outras mentes nesta cidade a me atormentar sozinha nestas madrugadas. Tanto faz, eles me querem e eu não. Não sei o por que disso e também não me interesso. Não me abalo com as coisas que me dizem ou as propostas que me fazem. Esta noite desejei seu corpo em silêncio e isto para mim era a urgência de existir. Cansei da racionalidade, das possibilidades de um “talvez”, me encantei com o “agora”, simples e por ele mesmo. Sem as culpas e sem os medos de outrora, estou tentando me adaptar. Eu era de um tempo em que as pessoas se encantavam umas com as outras e saíam de mãos dadas por aí... O tempo se foi, e eu também quero me divertir . Se for só isto, estejamos acordados: Então venha!

terça-feira, 15 de junho de 2010

L'amour en l'an 2010



Isto é sobre a profecia que se cumpriu. É sobre um mês dos namorados, no qual eu passei sozinha e me senti grata por ter vivido todas as histórias que vivi . Isto é sobre a solidão. Nesse momento a solidão física, do tesão sucumbido pela madrugada debaixo do edredon. Sobre uma solidão que não assusta, nem machuca mais, virou parte do todo. É sobre quando vc percebe que nem saberia como agir se alguém pegasse na sua mão. Sim, porque pra pegar no seu peito ou na sua bunda basta colocar os pés na rua. Sempre disse que seria uma velhinha que cria gatos, fuma cachimbo e conta histórias. Tenho investido a fundo nesse propósito. Eu sei que desacredito de tudo até o próximo romance. É sempre assim, e o próximo romance acaba como sempre, porque eu também não acreditava nele quando ele existia. Não sei mais nada sobre mim, o pior relacionamento que eu tive me mostrou isso, exatamente porque foi o último. Sempre me apaixono pela pessoa certa na hora errada e pela pessoa errada numa hora qualquer. Não quero gente louca e não conheço gente normal. Vivo o lado B da história achando que a vida deveria ser o A... Eu penso, penso, penso... Penso demais. Tenho mania de ser extremamente racional. E na ânsia de jamais cometer os mesmos erros, cometo erros novos sob as velhas justificativas. Acho todo mundo o tempo todo previsível e raramente vejo-me surpreender. Tédio. As noites não são todas iguais porque ainda tenho muitos amigos e posso transitar de turma em turma, de bar em bar... Tanto faz. Eu sei a hora de ir embora, sei que nada vai mudar a configuração das coisas, e que de nada adianta perder tempo e criticar. Tenho evitado muitos lugares e selecionado as pessoas por critérios ininteligíveis. Gosto de mim, dos banhos demorados no chuveiro quente, das idéias mais malucas e das mais intrigantes também, do gosto estranho pelos filmes raros, das bandas todas e dos cantores mais demodês... Gosto da cama firme com o Jean Pierre do lado se encaixando e me esquentando com seu gemidinho no silêncio da madrugada. Dos amigos gays e dos mais heteros também. Do respeito que tenho pela minha profissão e do que a maioria das pessoas tem por mim. Do figurino exótico e dos óculos sempre grandes... No fundo sinto falta do amor, mas gosto da minha solidão.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Crise no casamento...


Este filme do Ingmar Bergman, "Cenas de um casamento" é o que melhor me define: me casei com " a professora", mas sempre fiz da "atriz" a minha amante. Um triângulo amoroso que estreitou-se em 2008. Com a crise, quase mandei a carreira, a USP , tudo pro inferno, surtei. Trabalhando como assistente de direção e figurinos num espetáculo que tornou-se de grande orgulho e no qual passei mais de dezoito meses da minha vida: Mary Jane Não Mora Mais Aqui (texto e direção Marco Plá), obtive um grande crescimento. A peça, mais do que merecidamente, ganhou prêmio jovem de melhor texto e estávamos eufóricos, alguma coisa se perdeu no caminho... mas tudo o que foi bom ainda permanece. Então a menina "sem eira nem beira", feia, magricela, descabelada e dentuça que com oito anos de idade pisou pela primeira vez num palco de teatro estava sentindo-se realizada. Nada seria como antes. Contudo, voltei pra a faculdade determinada a dar um fim, olhei para mim despida dos meus próprios preconceitos e enxerguei o que me fez estar alí. Entendi a menina assustada que carregou sempre um mundo nas costas e nunca soube direito o que fazer consigo mesma. Entendi que ter passado fome, conhecido o teatro muito cedo, vivendo sempre sozinha , criaram uma mulher forte demais para muita coisa e insegura demais para outras. Entendi que mesmo ouvindo o barulho existente dentro de mim, negá-lo não era necessariamente um caminho sem volta. Sei que posso ser aquilo que eu quiser com uma dose extra de dedicação. Não acredito em nada sem dedicação e no momento esse recurso está escasso. Por isso, tenho feito apenas algumas oficinas e outras coisas para não ficar distante do palco, o foco está na faculdade.Preciso me formar e me tornar livre para buscar as outras coisas que me interessam. O curso é pesado e meu trabalho mantém as minhas contas com a sociedade e com a minha consciência pagas. Minha voz se tornou um problema sério a resolver e eu ainda tenho mais um monte de pretensões. Com que direito? Deveria estar mediocremente satirsfeita, mas não estou. Então me pego vendo aqueles filmes e observando a atuação da Liv Ullmann como um expectro de perfeição, eu não me contentaria em ser menos. Sou tão perfeccionista que preciso de um tempo que ainda não disponho para me dedicar a este desejo. Estou reorganizando a vida, no fim do ano tem formatura, mas sem baile.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Síndrome de Desdêmona...





O clássico Shakespeariano que trata do ciúme é um bom exemplo do que este sentimento tão natural é capaz de fazer quando de forma desmedida toma conta da mente de um homem. Vítima de uma armadilha, causada pela velha disputa: dinheiro e poder, Othelo mata sua esposa no dia em que esta se preparava para uma linda noite de amor. Desdêmona é o exemplo clássico da mulher apaixonada, que ingenuamente contribui para sua própria morte, a mulher que desde sempre teve olhos apenas para o seu amado e em troca teve o trágico desfecho do sufocamento. Embora estejamos falando de uma obra de ficção, desde sempre os crimes passionais foram tratados de maneira diferenciada, tanto na literatura, como na vida real. Nós mulheres, pagamos um preço muito alto por vivermos numa sociedade machista, que compreende facilmente os "deslises" masculinos enquanto que ao menor sinal de infidelidade somos condenadas ao limbo. Sempre fui uma pessoa comunicativa e naturalmente dotada de um certo "poder de persuasão", o que me trouxe sérios problemas no terreno amoroso. O estereótipo de "moderninha" e o modo ousado como me visto, tão próprios, tão "meus" foram elementos também que certamente fizeram muitos homens me interpretassem como infiel. É com muito pesar, depois de ter visto tantos dos meus amores morrerem sufocados sem direito à defesa, que venho declarar publicamente minha débil e imutável tendência à monogamia. Nunca, digo e repito: nunca traí um namorado...e mesmo assim o meu "quase casamento" também foi morto pelo ciúme. É sempre muito difícil conviver com aquilo que realmente somos e pagar o quanto quer que custe pela autenticidade, mas disso não me disponho. Não deixarei de ser aquela que faz tudo o que tem vontade e que é intensamente apaixonada por literatura, música, teatro, cinema... gosto de gente e vou conversar sempre com quem me der vontade, quem tiver algo para nutrir o papo. Vou continuar contando meus amores mortos nas contas do terço católico, se nada mais der certo morrerei feliz. Não abro mão daquilo que sou e se nenhum homem for suficientemente forte e auto-confiante para estar ao meu lado nem ao menos vou "sentir muito". Lamento sim, pela sociedade que os deu o "super poder" de tratar as mulheres feito objetos, mas os fez fracos como ratos para assumirem os seus sentimentos. Lamento pela covardia de tantos que passaram pelas minhas mãos macias e carinhosas, mas eram dignos de serem jogados pela janela... Que eu me engane, mas aprenda, não só com estes, mas com aqueles que de algum modo dividiram comigo doces anos de nossas vidas.

OBS: SERÁ EXIBIDO HOJE ÀS 21:00H "OTHELO" DE ORSON WELLES, NA CINEMATECA...
Alguém se aventura?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Desde os tempos de João e Maria...



Todo mundo se lembra daquele conto infantil no qual dois irmãozinhos abandonados, João e Maria encontram no meio da floresta uma linda casa feita de doces e entram nela seduzidos pela beleza das balas, pirulitos, biscoitos e chocolates. Infelizmente, para mau agoro dessas criancianhas, morava na casa uma bruxa muito má que os aprisionou e os escravizou sendo posteriormente derrotada pela astúcia e coragem dos pequenos protagonistas. Acontece sempre que muita gente pergunta sobre minha aparência, sobre minha opção estética e coisas desse gênero. Vamos então analisar; por que uma mulher que vê o ser humano como uma casa descuidaria da fachada em prol do seu interior? Na periferia é um caso muito comum as pessoas morarem em casas de concreto puro com interiores maravilhosos e bem equipados, sempre morei num prédio bonitinho, mas quando a grana era curta assitíamos tv em preto e branco num sofá rasgado. Nós mulheres, somos mesmo seres complexos e intrigantes, quando eu era punk e tinha 16 achava que fazer as unhas e passar baton era coisa de "patricinha". Com vinte, após ter trabalhado dois anos no shopping tendo que fazer as unhas e passar baton diariamente, sentia saudade dos tempos passados. A paixão pelo cinema cresceu também nessa época, retomando meus fetiches de criança por meia-calças e sapatos de salto alto, surgem então naquele corpo magricelo e esquálido de sempre uma porção de curvas para início do meu desespero. Acordei e estavam lá. Óbvio que eu tinha a opção de ser como as "pseudo- marxistas" uspianas que usam calça-jeans e camisetas largas ou fazem a linha hippie de boutique, o que talvez omita o corpo em prol de uma mente teoricamente brilhante como a delas. Não rolou, porque elas eram as verdedeiras patricinhas disfarçadas e eu trabalhava 12 horas por dia para estar alí. Então você trabalha tanto tempo com moda, se vicia em cinema, sobretudo em nouvelle vague e vai sair na rua com qualquer trapo no corpo achando que está tudo bem? Não está, coisa nenhuma!!! Toda vez que eu vejo Anna Karina na tela quero cortar a franja e comprar um vestido novo...também queria um marido genial e chato feito o Godard e foda-se quem não gosta dele. Ocorre que muitas pessoas somam o seu corpo cheio de curvas pra todos os lados com um toque de qq referêcia no cinema encontrado na sua roupa e acham que você é uma pin-up. De tanto ouvir isso aderi ao título, que acabou coicidindo com outra antiga brincadeira, porque meu nome do meio é Pinheiro e sempre usei "pin", acrescentei o "up" e tudo bem... Se dentro dessa outra "bela" casa não há uma bruxa má, também não há uma mulher fatal super devoradora de homens ou criancinhas. Há uma mulher que é produto de tudo o que viveu e do que passou, mas decidiu ficar com a parte boa da história, caso o contrário nesse instante eu estaria como todas as mulheres da minha família, cuidando dos porres do marido e com a casa cheia de filhos.