Isto é sobre a profecia que se cumpriu. É sobre um mês dos namorados, no qual eu passei sozinha e me senti grata por ter vivido todas as histórias que vivi . Isto é sobre a solidão. Nesse momento a solidão física, do tesão sucumbido pela madrugada debaixo do edredon. Sobre uma solidão que não assusta, nem machuca mais, virou parte do todo. É sobre quando vc percebe que nem saberia como agir se alguém pegasse na sua mão. Sim, porque pra pegar no seu peito ou na sua bunda basta colocar os pés na rua. Sempre disse que seria uma velhinha que cria gatos, fuma cachimbo e conta histórias. Tenho investido a fundo nesse propósito. Eu sei que desacredito de tudo até o próximo romance. É sempre assim, e o próximo romance acaba como sempre, porque eu também não acreditava nele quando ele existia. Não sei mais nada sobre mim, o pior relacionamento que eu tive me mostrou isso, exatamente porque foi o último. Sempre me apaixono pela pessoa certa na hora errada e pela pessoa errada numa hora qualquer. Não quero gente louca e não conheço gente normal. Vivo o lado B da história achando que a vida deveria ser o A... Eu penso, penso, penso... Penso demais. Tenho mania de ser extremamente racional. E na ânsia de jamais cometer os mesmos erros, cometo erros novos sob as velhas justificativas. Acho todo mundo o tempo todo previsível e raramente vejo-me surpreender. Tédio. As noites não são todas iguais porque ainda tenho muitos amigos e posso transitar de turma em turma, de bar em bar... Tanto faz. Eu sei a hora de ir embora, sei que nada vai mudar a configuração das coisas, e que de nada adianta perder tempo e criticar. Tenho evitado muitos lugares e selecionado as pessoas por critérios ininteligíveis. Gosto de mim, dos banhos demorados no chuveiro quente, das idéias mais malucas e das mais intrigantes também, do gosto estranho pelos filmes raros, das bandas todas e dos cantores mais demodês... Gosto da cama firme com o Jean Pierre do lado se encaixando e me esquentando com seu gemidinho no silêncio da madrugada. Dos amigos gays e dos mais heteros também. Do respeito que tenho pela minha profissão e do que a maioria das pessoas tem por mim. Do figurino exótico e dos óculos sempre grandes... No fundo sinto falta do amor, mas gosto da minha solidão.

mazela de valor essa tal da consciência de si: sempre diferente e descabida dum modo que sobra como quem falta. bjo!
ResponderExcluirIsso aí, Tati!!! Descreveu bem a essência de um sagitariano, como somos...independentes, aventureiros, avessos àquilo que está em voga, sem grande aptidão para as regras sociais, apesar de transitarmos com frequência por diversos círculos sociais...rsrs.
ResponderExcluirAdorei o texto!