quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Síndrome de Desdêmona...





O clássico Shakespeariano que trata do ciúme é um bom exemplo do que este sentimento tão natural é capaz de fazer quando de forma desmedida toma conta da mente de um homem. Vítima de uma armadilha, causada pela velha disputa: dinheiro e poder, Othelo mata sua esposa no dia em que esta se preparava para uma linda noite de amor. Desdêmona é o exemplo clássico da mulher apaixonada, que ingenuamente contribui para sua própria morte, a mulher que desde sempre teve olhos apenas para o seu amado e em troca teve o trágico desfecho do sufocamento. Embora estejamos falando de uma obra de ficção, desde sempre os crimes passionais foram tratados de maneira diferenciada, tanto na literatura, como na vida real. Nós mulheres, pagamos um preço muito alto por vivermos numa sociedade machista, que compreende facilmente os "deslises" masculinos enquanto que ao menor sinal de infidelidade somos condenadas ao limbo. Sempre fui uma pessoa comunicativa e naturalmente dotada de um certo "poder de persuasão", o que me trouxe sérios problemas no terreno amoroso. O estereótipo de "moderninha" e o modo ousado como me visto, tão próprios, tão "meus" foram elementos também que certamente fizeram muitos homens me interpretassem como infiel. É com muito pesar, depois de ter visto tantos dos meus amores morrerem sufocados sem direito à defesa, que venho declarar publicamente minha débil e imutável tendência à monogamia. Nunca, digo e repito: nunca traí um namorado...e mesmo assim o meu "quase casamento" também foi morto pelo ciúme. É sempre muito difícil conviver com aquilo que realmente somos e pagar o quanto quer que custe pela autenticidade, mas disso não me disponho. Não deixarei de ser aquela que faz tudo o que tem vontade e que é intensamente apaixonada por literatura, música, teatro, cinema... gosto de gente e vou conversar sempre com quem me der vontade, quem tiver algo para nutrir o papo. Vou continuar contando meus amores mortos nas contas do terço católico, se nada mais der certo morrerei feliz. Não abro mão daquilo que sou e se nenhum homem for suficientemente forte e auto-confiante para estar ao meu lado nem ao menos vou "sentir muito". Lamento sim, pela sociedade que os deu o "super poder" de tratar as mulheres feito objetos, mas os fez fracos como ratos para assumirem os seus sentimentos. Lamento pela covardia de tantos que passaram pelas minhas mãos macias e carinhosas, mas eram dignos de serem jogados pela janela... Que eu me engane, mas aprenda, não só com estes, mas com aqueles que de algum modo dividiram comigo doces anos de nossas vidas.

OBS: SERÁ EXIBIDO HOJE ÀS 21:00H "OTHELO" DE ORSON WELLES, NA CINEMATECA...
Alguém se aventura?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Desde os tempos de João e Maria...



Todo mundo se lembra daquele conto infantil no qual dois irmãozinhos abandonados, João e Maria encontram no meio da floresta uma linda casa feita de doces e entram nela seduzidos pela beleza das balas, pirulitos, biscoitos e chocolates. Infelizmente, para mau agoro dessas criancianhas, morava na casa uma bruxa muito má que os aprisionou e os escravizou sendo posteriormente derrotada pela astúcia e coragem dos pequenos protagonistas. Acontece sempre que muita gente pergunta sobre minha aparência, sobre minha opção estética e coisas desse gênero. Vamos então analisar; por que uma mulher que vê o ser humano como uma casa descuidaria da fachada em prol do seu interior? Na periferia é um caso muito comum as pessoas morarem em casas de concreto puro com interiores maravilhosos e bem equipados, sempre morei num prédio bonitinho, mas quando a grana era curta assitíamos tv em preto e branco num sofá rasgado. Nós mulheres, somos mesmo seres complexos e intrigantes, quando eu era punk e tinha 16 achava que fazer as unhas e passar baton era coisa de "patricinha". Com vinte, após ter trabalhado dois anos no shopping tendo que fazer as unhas e passar baton diariamente, sentia saudade dos tempos passados. A paixão pelo cinema cresceu também nessa época, retomando meus fetiches de criança por meia-calças e sapatos de salto alto, surgem então naquele corpo magricelo e esquálido de sempre uma porção de curvas para início do meu desespero. Acordei e estavam lá. Óbvio que eu tinha a opção de ser como as "pseudo- marxistas" uspianas que usam calça-jeans e camisetas largas ou fazem a linha hippie de boutique, o que talvez omita o corpo em prol de uma mente teoricamente brilhante como a delas. Não rolou, porque elas eram as verdedeiras patricinhas disfarçadas e eu trabalhava 12 horas por dia para estar alí. Então você trabalha tanto tempo com moda, se vicia em cinema, sobretudo em nouvelle vague e vai sair na rua com qualquer trapo no corpo achando que está tudo bem? Não está, coisa nenhuma!!! Toda vez que eu vejo Anna Karina na tela quero cortar a franja e comprar um vestido novo...também queria um marido genial e chato feito o Godard e foda-se quem não gosta dele. Ocorre que muitas pessoas somam o seu corpo cheio de curvas pra todos os lados com um toque de qq referêcia no cinema encontrado na sua roupa e acham que você é uma pin-up. De tanto ouvir isso aderi ao título, que acabou coicidindo com outra antiga brincadeira, porque meu nome do meio é Pinheiro e sempre usei "pin", acrescentei o "up" e tudo bem... Se dentro dessa outra "bela" casa não há uma bruxa má, também não há uma mulher fatal super devoradora de homens ou criancinhas. Há uma mulher que é produto de tudo o que viveu e do que passou, mas decidiu ficar com a parte boa da história, caso o contrário nesse instante eu estaria como todas as mulheres da minha família, cuidando dos porres do marido e com a casa cheia de filhos.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sem palavras...






Sempre digo que nunca mais vou ficar com algumas pessoas e sempre acabo me contradizendo...
Sabe por que? Porque eu gosto muito mesmo de sexo, drogas e rock n' roll, não faço parte desse povo que vive fazendo tipo por aí. E no fundo tanto faz sair com alguém conhecido ou com qualquer um. Nós dois omitiremos eternamente um ao outro, nunca seremos um casal, e agora quando muito poderemos ser parceiros na sinuca, veja só quanta afinidade!
Pela manhã, passava "Beastie Boys" na tv cantando Fight for your right (1986) e eu sorria equanto você iniciava novamente aquele velho discurso depreciando coisas boas que lhe são desconhecidas, tivemos então o primeiro anti-diálogo do dia:
_Você gosta desses meninos?
_Eu gosto muito de música, já disse isso á você...
_Não precisa ter vergonha, pode dizer que sim.
_Não sei se percebeu, mas eu conheço praticamente todas as bandas que acabaram de tocar. E esses "meninos" que vc acha "mais ou menos", mudaram a história do rock 80/90 misturando punk rock com hip hop...Hoje em dia são "tiozinhos" que tocam e ainda andam de skate.
O mais bizarro é que eu não estava comemorando o fato de estar escutando a mais nova banda indie da Islândia, mas alguém que não conhece ou não reconhece a qualidade e o talento de Iggy Pop, Frank Zappa e Bob Dylan tá com algum problema que eu de fato não tenho como prestar suporte. De resto, precisando pode me ligar, estou sempre disposta a ajudar os amigos. Preciso ir. O sol escaldante sob as nossas cabeças e eu pensando: por que raios eu não trouxe os óculos escuros?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Invisível...eu?


Ás vezes tenho essa mania de não querer forjar intimidade como desculpa pra manter uma certa distância das pessoas, que sirva de margem de segurança para mim mesma. Não se trata de evitá-las, mas de conviver com elas sem interagir. Se por algum acaso houver admiração piora, porque daí surge então essa mescla de "bon senso" com "falsa humildade", já que no fundo todos sofremos de algum tipo de arrogância intelectual por estarmos um pouco acima da média, o que no entanto é ridiculamente fácil se tratando de uma realidade como a nossa. Todo tímido é um convencido ao contrário, e quem diz isso é Freud, nem sou eu... portanto não contesto, Jesus eu contesto, ele não. Só por isso assumo vergonhosamente meus defeitos inconscientes, já que eu os enxergo: a psicanálise curou minha miopía. Com essa bagagem de caos humano me sentei por tantas vezes com tanta gente na mesa do bar e nunca nem disse um "oi", no dia seguinte nenhum " boa noite", e minha teoria é de que não vão se lembrar da minha cara e eu me poupo o constrangimento de não ser cumprimentada de volta. Desse modo vou construindo uma invisibilidade psicológica bastante confortável, porque na verdade não sou uma pessoa discreta e isso acaba sendo uma espécie de frustração. Sou uma mulher grande, desastrada, com a voz alta, o riso fácil e frequentemente falo palavrões. Não sou um tipo vulgar, mas como diz um amigo nosso , não tenho "papas na língua" e por isso não falo com quem não conheço, evitando maiores estardalhaços. Estranho assumir é que também criamos vínculos na invisibilidade, relações que muitas vezes não sabemos descrever... então quando acontece alguma coisa q nos tira da zona de conforto nos abala e confunde de repente. Quando uma das pessoas não vai estar na mesa do bar, em silêncio, ou interagindo com as outras, porque algo ruim aconteceu filtramos uma espécie anômala de saudade, daquilo que nunca se estabeleceu e mesmo assim existe. Assim passou o tempo sem que eu tivesse feito nada a respeito dessa saudade, a respeito de tanta coisa que se tem vontade de falar quando a pessoa está presente, mas nesses instantes aparecem todas as papas que a língua não tinha e engulo a seco qualquer comentário com medo de ser impertinente. Tanta gente desagradável já sentou na nossa mesa, e tantas vezes após uma frase esdrúxula olhávamos um para a cara do outro e fazíamos um meneio de cabeça que continha uma tese ou um palavrão, sem que tivéssemos dito nada... É mais fácil fingir sempre que nada aconteceu, ou talvez mais cômodo como gosto de dizer, mas essa semana dei um passo à frente e guardei a vergonha no bolso. Respirei fundo, fiquei vermelha mais umas duas ou três vezes e fui visitá-lo, acompanhada de um batalhão de gente, obviamente. Ficou claro que está bem e que estará conosco na mesa do bar muito em breve, me senti feliz de ver o quanto melhorou, logo poderemos matar a saudade desses momentos. Compreendo agora que esse bando de sentimentos confusos não serve para merda nenhuma e que numa próxima posso não ter tempo de voltar atrás. É nítido o mundo gritando nos meus ouvidos esperando que eu tenha alguma reação.

Toc toc toc...



Este bilhete é para você, que veio sem ser convidado e por isso mesmo torna-se bem-vindo. Adoro surpresas. Cuidado com os estilhaços no quintal...Nem precisa pedir licença. A porta de casa nunca será aberta pra qualquer pessoa, mas se você veio certamente se interessa por algo que existe nela. Tudo aqui dentro é muito simples, com o passar do tempo e as estações do ano algumas coisas vão saindo do lugar e quando vejo está tudo uma bagunça... Tenho lua em virgem, sou organizada, o caos me estressa demais, mas a mente é sempre um turbilhão. Os perfeccionistas são eternos frustrados, porque as coisas nunca são exatamente como eles esperam. Experimente um pouco do meu café, é a minha maneira de dizer o quanto gosto de você, tem pirulitos de coração em cima da mesinha, sirva-se, estão aí para os amigos, a forma mais doce que eu conheci de partilhar as coisas da minha vida. O tapete ás vezes fica torto, se quiser pode tirar os sapatos, cuidado com os cinzeiros de vidro o chão..
ENTRE E FIQUE À VONTADE!