
Este filme do Ingmar Bergman, "Cenas de um casamento" é o que melhor me define: me casei com " a professora", mas sempre fiz da "atriz" a minha amante. Um triângulo amoroso que estreitou-se em 2008. Com a crise, quase mandei a carreira, a USP , tudo pro inferno, surtei. Trabalhando como assistente de direção e figurinos num espetáculo que tornou-se de grande orgulho e no qual passei mais de dezoito meses da minha vida: Mary Jane Não Mora Mais Aqui (texto e direção Marco Plá), obtive um grande crescimento. A peça, mais do que merecidamente, ganhou prêmio jovem de melhor texto e estávamos eufóricos, alguma coisa se perdeu no caminho... mas tudo o que foi bom ainda permanece. Então a menina "sem eira nem beira", feia, magricela, descabelada e dentuça que com oito anos de idade pisou pela primeira vez num palco de teatro estava sentindo-se realizada. Nada seria como antes. Contudo, voltei pra a faculdade determinada a dar um fim, olhei para mim despida dos meus próprios preconceitos e enxerguei o que me fez estar alí. Entendi a menina assustada que carregou sempre um mundo nas costas e nunca soube direito o que fazer consigo mesma. Entendi que ter passado fome, conhecido o teatro muito cedo, vivendo sempre sozinha , criaram uma mulher forte demais para muita coisa e insegura demais para outras. Entendi que mesmo ouvindo o barulho existente dentro de mim, negá-lo não era necessariamente um caminho sem volta. Sei que posso ser aquilo que eu quiser com uma dose extra de dedicação. Não acredito em nada sem dedicação e no momento esse recurso está escasso. Por isso, tenho feito apenas algumas oficinas e outras coisas para não ficar distante do palco, o foco está na faculdade.Preciso me formar e me tornar livre para buscar as outras coisas que me interessam. O curso é pesado e meu trabalho mantém as minhas contas com a sociedade e com a minha consciência pagas. Minha voz se tornou um problema sério a resolver e eu ainda tenho mais um monte de pretensões. Com que direito? Deveria estar mediocremente satirsfeita, mas não estou. Então me pego vendo aqueles filmes e observando a atuação da Liv Ullmann como um expectro de perfeição, eu não me contentaria em ser menos. Sou tão perfeccionista que preciso de um tempo que ainda não disponho para me dedicar a este desejo. Estou reorganizando a vida, no fim do ano tem formatura, mas sem baile.
