
Maitena
A primeira vez que ouvi falar de vc eu senti raiva. Eu tinha acabado de transar com um cara e ele não parava de falar de você, porra. Era profissional, eu sei, mas vai explicar isso pro inconsciente feminino. Um dia a gente se falou na calçada e eu entendi: ele tinha razão. Não ser elogiado por você era mesmo um demérito, isso porque ele nem ouviu as outras línguas venenosas da mulherada... Uma noite, duas, três, mais um cigarro, outra breja, uma manhã no Copam, na Praça, uns tiros, tanta coisa depois e a gente aqui. Teve aquele puta fora que eu dei lembrando do seu namorado na minha adolescência, poxa, fiquei com tanta vergonha, mas ah... passado, né? Eu era fã dele, dessas que ia nos showzinhos de colégio , um dia postei um vídeo dele tocando com um outro cara. Ai, ai, ai... esse cara sim, tinha transfigurado meu coração. Crime ediondo, homicídio doloso. Ressucitei, mas foi um tempo tenebroso gostar de alguém e não ser exatamente nada na vida dessa pessoa. Eu falava disso nas nossas noites por aí, a gente mudava de assunto, eu ouvia você cantar Nina Simone e pensava: ela tem razão. A gente quando via tava discutindo um monte de coisa super profunda e superficial ao mesmo tempo. Fui te admirando pra caralho e to indo nos teus 40 anos. Que idade foda, eu to chegando nela em breve. Tenho te visto em momentos tão marcantes, sabe? Aquele show no SESC era como se fosse a minha alma exposta, lá assim, despudorada. Eu sou exatamente aquilo. No fundo sei lá quem eu sou direito, muita coisa, mas quando eu acordar daqui a pouco e tiver quarenta também quero poder me sentir assim, e ter esse jeito de liberdade e força que eu admiro tanto em você. Felicidades para essa mulher que tem no feminino o nome que eu pronuncio sorrindo todos os dias pela manhã...

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