Tolouse Lautrec
Que existia e não sabia o que... Não sabia, mas estava lá. E era tanto e quanto que não sabia medir, não sabia se era muito, se era pouco, mas era. E se perguntava o que era, até que a necessidade da forma perdeu a razão de ser e fez do estar o princípio de tudo. Pois estavam juntos e era sempre muito bom, porque conseguiam ter epifanias com os textos, as canções dos anos 80 e se encantar com as melodias dos 90. Porque chegou com gosto de Pessoa e Caio Abreu, e mesmo ao pensar na primeira guerra que começara por causa de um outro, desafiava acreditar que viera em missão de paz. Mas o coração não encontra paz na euforia, e a busca por essa adrenalina é a busca pelo eterno conflito. Sempre soube que o coração fora feito para o pulso e não para a arritimia, porque o teve amordaçado e sangrento em tantas noites de solidão e elas haviam se esgotado assim sem mais nem menos. Tão natural e tão de repente, que nem teve tempo pra se acostumar, vestia-se a ele feito camisinha texturizada: total aderência, mais prazer. Feito um slogan clichê na prateleira da farmácia e daí em diante, até comrecial de pasta de dentes adquirira novos significados. Porque a vida tem mesmo que adquirir sabores e cores diferenciadas ao lado de quem se gosta. E não é que o mundo fique torpe, apenas olhamos para coisas que antes não havíamos observado. Neste caso estarem distraídos era manter os olhos fechados para o resto do mundo. E saber o quanto é bom não ter noção do tempo, quanto é bom adiar os desejos ao telefone, saber de cada gesto e de cada gosto que os aguarda na noite seguinte. Sem pensar em tudo o que se pensa e sem dar vazão ao medo que se sente ao estarem tão vulneráveis, irem vivendo os dias, deixando que o destino teça o seu manto, e que os cubra para que nunca mais seja inverno novamente.

Nenhum comentário:
Postar um comentário